O Resíduo como Recurso
O mundo está maioritariamente programado para um sistema "make-use-dispose”, que se traduz na extração de recursos do capital natural, sendo que após a sua utilização são descartados como resíduos, sem valorização.

Mas a população mundial ultrapassou os 7 mil milhões e, simultaneamente, nos países emergentes a classe média está a aumentar. Como consequência, os recursos necessários são cada vez mais, enquanto que a sua disponibilidade é cada vez menor. Para além disso, os serviços ecossistémicos, que são essenciais, têm visto a sua biocapacidade tornar-se mais diminuta. Finalmente, a emissão crescente de gases com efeito de estufa tornou necessário a implementação de projetos de mitigação e adaptação climáticas. Decorrente destes factos, o contexto global caracteriza-se por uma profunda crise económica, ambiental e social.

Portanto, uma gestão de negócio de "business as usual” é insustentável, porque vivemos numa realidade em que a capacidade dos recursos é finita e existem condições de subsistência que precisam de ser asseguradas para a perduração da raça humana.

É fundamental uma mudança de paradigma, é preciso criar uma nova tendência de gestão. Para tal, são necessárias mudanças ao nível dos vários setores das sociedades, desde governos, sociedade civil, empresas, ou seja uma mudança de mentalidade das pessoas, com pessoas e para as pessoas.

O desafio de transformar resíduos em recursos corresponde ao desenvolvimento e implementação de uma estratégia que fomente a transição de uma economia linear para uma economia circular, baseada num modelo de desenvolvimento sustentável e nos princípios de uma economia verde, que garanta a eficiência na utilização de recursos, assente numa economia de baixo carbono e o combate à depleção dos recursos naturais, estimando-se benefícios económicos globais correspondentes a 2 mil biliões de dólares norte-americanos.

Em Portugal, o setor já apresenta algumas práticas inovadoras em linha com este conceito contudo é necessário uma abordagem concertada que, sem dúvida nenhuma, será reforçada através do Cluster de Resíduos.

Em termos estratégicos, as políticas da União Europeia visam assegurar que até 2020 os resíduos serão geridos com um recurso. A abordagem do resíduo como um recurso dá uma vantagem competitiva no posicionamento das empresas, acrescentando benefícios económicos tangíveis, proporcionados por um crescimento da criação de emprego, aumento das exportações e redução dos custos de negócio.